Reverie vs Word e Google Docs, por Quem Fez o Reverie


O Word e o Google Docs aguentam um romance. Nunca senti que algum dos dois tivesse sido feito para dar vontade de escrever um.


Você não escolheu nenhum dos dois. Eles já estavam ali. O Word é o programa em que todo documento do seu computador já abre. O Google Docs é uma aba que você já tinha aberta. Então o livro começa onde você calhou de estar, num arquivo novo em branco, e nos primeiros milhares de palavras isso até funciona.

E aí a página não parece nada. É a mesma superfície branca e chapada que você usaria para uma declaração de imposto, e ela trata a coisa mais pessoal que você vai fazer na vida igualzinho a um memorando. Nada na sala diz que um romance está sendo escrito ali dentro. Depois que isso é apontado, você perde a capacidade de não ver, e ao longo de algumas centenas de horas sozinho com um manuscrito o vazio vai te desgastando.

Eu faço o Reverie, então você sabe de que lado eu estou. Mas escrevi ficção nos dois durante anos antes de construir qualquer coisa, e quase tudo o que vem a seguir é só o que eles fazem com um romance quando ele fica comprido.

No que os dois erram

Comece pela sensação, porque é a parte que ninguém nomeia. O Word e o Google Docs são competentes e inertes. O cursor pisca do jeito que pisca desde os anos oitenta, e a página tem a mesma cara quer as palavras estejam jorrando, quer você esteja travado na mesma frase havia quarenta minutos. Ela nunca te responde, então nunca te coloca em lugar nenhum. Resta a você achar a escrita dentro de si mesmo, contra uma superfície que não está nem aí se você escreve ou não.

Por baixo disso mora um problema estrutural. Um processador de texto acha que o seu livro é um único documento comprido, e essa ideia sozinha causa a maior parte da dor prática. Noventa mil palavras viram uma rolagem sem forma nenhuma que você consiga segurar. Mover o capítulo onze para a frente do capítulo nove significa recortá-lo e caçar o lugar de soltá-lo, torcendo para não ter abandonado uma cena pelo caminho. A forma do livro fica na sua cabeça e nunca chega à tela, e quanto mais você avança, mais da sua atenção vai para não se perder.

Depois tem tudo o que cerca a página, e nada disso é para você. A barra de ferramentas guarda cem controles que um romancista nunca toca. Um sublinhado do corretor ortográfico discute com o nome de lugar que você inventou. Uma notificação entra deslizando. Aí um comentário na margem, as abas esperando, o resto do aplicativo pedindo para ser notado. Um romance se escreve nos trechos em que você esquece que o software está ali, e nenhum dos dois foi feito para ser esquecido.

E os dois agora estão acrescentando justamente a coisa que eu mais queria manter fora da sala. Não é só a oferta de escrever a sua próxima frase. São as sugestões e correções que empurram uma linha na direção do que a máquina teria escrito, e se você se apoiar nelas a voz que chega à página deixa de ser bem a sua. Vira a sua misturada com tudo aquilo em que o modelo foi treinado. O Word tem o Copilot, o Google Docs tem o Gemini, e dá para desligar os dois.

Onde eles de fato se diferenciam

Duas diferenças honestas. O Google Docs é gratuito, e para botar um rascunho na frente de outra pessoa não tem nada que ganhe dele. O preço é que o manuscrito não é bem seu: ele fica nos servidores do Google, você escreve dentro de uma aba do navegador junto com tudo o mais que tem aberto, e o livro mora num lugar onde você não consegue bem pôr as mãos. O Word é o formato em que a indústria roda. Agentes e editoras querem um arquivo do Word, e suas ferramentas de edição passaram trinta anos sendo afiadas. Se boa parte da sua semana é esse tipo de trabalho, ele faz por merecer.

O que o Reverie faz no lugar disso

O Reverie é construído ao contrário, para a escrita e não para o documento.

Ele monta a estrutura conforme você escreve. Uma quebra de cena são três asteriscos numa linha, a marca que os manuscritos usam há um século, e uma única tecla transforma as cenas que você já escreveu num roteiro que dá para ver, cada uma marcada pela sua primeira linha. Quando o capítulo onze precisa mudar de lugar, você o arrasta, e as palavras vão junto, o trecho inteiro erguido e pousado com as emendas resolvidas. Reestruturar um romance leva segundos, não uma tarde.

Depois a parte que uma lista não consegue segurar, que é como ele parece. Passei vinte e cinco anos fazendo jogos, em que o trabalho inteiro é fazer uma tela responder às mãos de uma pessoa, e a página do Reverie é feita com esse mesmo ofício. Ela é acolhedora em vez de clínica, e responde ao ato de escrever, de modo que sentar para ela já te coloca no clima de escrever em vez de te deixar achar esse clima sozinho. Essa sensação é o motivo de o app existir, porque o que termina um livro é ter vontade de voltar à página.

Não tem IA nele, e nunca vai ter. O ponto inteiro é que a voz na página continue sua. Ele guarda um romance inteiro e segue rápido com ele, igual na página seiscentos e na página dois. Quase não há nada para formatar e pouca coisa na tela além das suas palavras, então não sobra muito a fazer a não ser escrever a próxima.

Seu manuscrito fica na sua máquina, em arquivos comuns que são seus e que você pode abrir em qualquer coisa. Quando o livro está pronto para deixar a sala, o Reverie o exporta como um manuscrito pronto para submissão no formato Shunn, o padrão que agentes e editoras esperam, ou como arquivo do Word ou PDF.

Nada disso sobrevive a ser descrito, que é o problema de escrever sobre sensação. Então vou parar de tentar. O teste é gratuito por quinze dias, tempo de sobra para sentir a diferença entre uma página que tolera um romance e uma que quer o livro para fora de você. Abra, digite três asteriscos e uma linha sobre a cena que você vem carregando o dia inteiro, e deixe a página defender a própria causa.

Mark

Você não sente um app de escrita lendo sobre ele. O teste é gratuito por 15 dias. Experimente.

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